A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 29/10/2023

A princípio, a arquitetura é uma forma de expressão da sociedade e desempenha um papel fundamental na moldagem do ambiente em que vivemos. No entanto, em muitos casos, a arquitetura tem sido usada como um mecanismo de exclusão social, criando espaços hostis que marginalizam determinados grupos. Esta prática, conhecida como “arquitetura hostil”, vai muito além da simples construção de edifícios e espaços públicos e reflete desigualdades sociais, econômicas e culturais presentes no país há decadas.

É fato que a arquitetura hostil, está intrinsecamente ligada à questões segregacionistas. Visto que, em muitos lugares, a infraestrutura urbana foi projetada de forma a separar racialmente as comunidades, resultando em áreas de baixa renda, predominantemente habitadas por minorias étnicas. Dessa forma sendo responsável por reforçar preconceitos socioeconômicos e raciais enraizados na sociedade Brasileira há décadas, que dificultam o acesso a oportunidades econômicas e que podem ser observadas no dia a dia em espaços públicos como em bancos com divisórias, superfícies inclinadas e obstáculos projetados para evitar que pessoas sem-teto descansem.

Por isso, a arquitetura hostil e a exclusão social se contrapõem como método articulado de isolamento social, principalmente ao levar em conta que segundo censo de 2022 a estimativa de moradores de rua, havia superado o número de 281,4 mil pessoas, um aumento de 38% comparado a 2019. Sendo assim, extremamente importante combater os avanças da arquitetura hostil no país

Em suma, a arquitetura hostil, nada mais é que uma forma elaborada de exclusão social dos grupos “indesejados” pela sociedade. Sendo então dever do Estado, com a ajuda do ministério dos direitos humanos, de criar leis e movimentos sociais, nos quais tenham como objetivo abolir e retirar praticas hostis de construção, como forma principal de assegurar a inclusão social e étnica desses grupos desvalorizados perante as leis visando acabar com a segregação e reforçar a igualdade.