A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 30/10/2023

Em um Brasil que possui aproximadamente 222 mil pessoas em situação de rua, a arquitetura hostil representa o descaso e a banalidade que existe diante dessa parte da população. Assim, esta estrutura arquitetônica serve para separar classes e afastar públicos e ações indesejadas, além de controlar o comportamento humano.

Em primeiro plano, é necessário compreender que estas estruturas arquitetônicas visam restringir certos comportamentos e desencorajar públicos específicos a utilizar o espaço para certas atividades. Por exemplo, pregos de metal instalados do lado de fora de apartamentos no centro de Londres para que pessoas em situação de rua não utilizassem o espaço para dormir. Assim, a inserção desses elementos reforça a visão de que pessoas em situação de rua são diferentes, inferiores e perturbadoras a ponto de não terem nenhum direito e serem dignos de serem mantidos longe, reforçando a exclusão social do grupo.

Ademais, fica claro que este recurso é uma forma de gentrificação. Criado pela socióloga Ruth Glass em 1964, o termo diz respeito ao processo de reconfiguração urbana de maneira que esta acarrete na elitização socioespacial e ocupação pelas classes média e alta de áreas antes ocupadas por outros públicos. Desse modo, há uma exclusão e expulsão da classe baixa de maneira indireta e que, a partir desse processo, discrimina e marginaliza certos grupos, tornando o espaço público em áreas exclusivas e seletivas.

Diante dos fatos, é inegável que a arquitetura hostil representa o descaso e a banalidade que existe diante de parte da população, assim como sua intenção de segregar esta mesma parcela da população. Portanto, se faz necessário a criação de projetos de lei, por parte dos senadores, que proíbam o uso da arquitetura hostil nos espaços públicos, assim como projetos sociais criados pelas prefeituras com o intuito de criar moradias dignas e auxiliar na desmarginalização. Dessa maneira, é possível trabalhar a favor da redução da desigualdade e a favor da inclusão social nos espaços urbanos.