A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 04/11/2023
O livro “É Assim Que Acaba”, narra a história de Atlas, um sem-teto que sofre não só com preconceito como também com a instalação de objetos que impediam a presença indesejada de pessoas, introduzindo a temática do design restritivo das cidades brasieliras e abordando, também, seus efeitos. Fora da ficção, é notório que a produção literária possui verossimilhança no que tange a um tema de suma importância atualmente, a arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social. Diante disso, é necessário explicitar que a política exclusionista do governamental e a falta de engajamento populacional sustentam o problema.
Em primeira análise, o Governo tem como função primordial garantir moradia à todos, como previsto pelo artigo 6 da Constituição Federal, entretanto, não o tem feito. Sob essa ótica, de acordo com dados disponibilizados pelo Portal da Transparência, mais de 250 mil brasileiros se encontram em situação de rua, e o Estado ao invés de criar projetos que visem diminuir o número de pessoas na rua, cria artifícios para que estes não tenham nem sequer a opção de dormir em bancos de praça ou embaixo de marquizes.
Ademais, a população se demonstra indiferente quanto a instalação de estruturas hostis contra os moradores de rua e, alguns até se colocam a favor de tais atitudes. Desse modo, a passividade populacional, a falta de cobrança efetiva ao governo e a falta de empatia pelo próximo, coloca diversos cidadãos em situações de perigo, e colocam até a cidadania desses em xeque. Por fim, nota-se que os ataques contra pessoas sem moradia somente serão passíveis de resolução quando a população começar a cobrar pelos artigos presentes na Carta Magna. Dessarte, em vista dos fatos supracitados, torna-se clara a necessidade de intervenção. A fim de acabar com a presença de estruturas hostis aos moradores de rua e permitir que esses tenham o direito à moradia, urge ao Ministério da Infraestrutura criar, por meio de políticas públicas, projetos que permitam a construção de habitações provisórias para pessoas em situações como as citadas anteriormente. Isso pode ocorrer com a criação de casas comunitárias e temporárias. Com isso, espera-se não somente o fim da arquitetura hostil, como também que casos como o de Atlas fiquem apenas na literatura.