A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 30/10/2023
Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade em que todos possuem seus direitos assegurados de forma efetiva, além de relatar um cenário livre de problemas políticos e sociais. No entanto, a realidade é contrária ao que o autor prega, já que a arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social, é uma celeuma persistente. Isso ocorre ora pelo descaso governamental, ora pelo silenciamento.
Sob esse viés, é notório que a omissão governamental é um grave empecilho. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. Entretanto, tal responsabilidade não está sendo honrada quanto a insignificância com os moradores de rua aos olhos das autoridades, no qual o uso da arquitetura hostil ser recorrente, mesmo que proibida, evidencia ainda mais que essas pessoas estão sendo tratadas como indiferentes, uma vez que o governo está cumprindo seu papel como agente fornecedor de direitos mínimos, gerando uma falsa sensação de cidadania.
Além disso, a falta de discussão é um grande impasse. De acordo com a filósofa Djamila Ribeiro, é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Contudo, há um silenciamento instaurado na questão de como esse desing excludente afeta a educação das crianças, em que por tornar o mundo um lugar visivelmente agressivo, achem normal excluir e maltratar moradores de rua, uma vez que pouco se fala sobre isso nas mídias de grande acesso, tratando essa pauta como algo supérfluo.
Portanto, é imprescindível agir sobre esse contexto caótico. Para isso, o Governo Federal deve criar uma agenda específica focando em oferecer moradia e emprego para pessoas em situação de rua, dando significância a eles, além de fechar locais que usarem formas de arquitetura hostil, por meio da organização de projetos e fundos, a fim de reverter o descaso governamental. Paralelamente, é preciso intervir no silenciamento presente no problema, em que o Estado leve palestras em escolas, consciêntizando os jovens, sobre como a exclusão social afeta o mundo, formando pessoas mais empáticas. Dessa forma, poder-se-á concretizar a “Utopia” de More na sociedade.