A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 30/10/2023
O conceito “Cidadanias Mutiladas”, do geógrafo brasileiro Milton santos, explicita que a democracia só é efetiva quando tange à totalidade do corpo social. A partir dessa perspectiva, é possível observar que a realidade contemporânea se distancia desse ideal democrático, uma vez que a arquitetura hostil das cidades brasileiras é tida como mecanismo de exclusão de parte da sociedade. Desse modo, é essencial analisar os principais propulsores desse contexto adverso: a segregação socioespacial e negligência governamental.
Sob esse viés analítico, é importante destacar, que a segregação socioespacial é um fator preponderante para o descaso com a população menos favorecida. Tal premissa deve-se ao isolamento de parte da comunidade, por meio da fragmentação da cidade em espaços distintos, conforme a classe social que nela habita. Nessa perspectiva, segundo Bauman, em “Cegueira Moral”, nos tempos de modernidade líquida, a indiferença ao próximo é habitual. Fora da ficção, a obra explicita a débil situação da parcela marginalizada: invisibilidade frente o resto da coletividade. Dessa forma, é imprescindível combater a falha na arquitetura das cidades, visto que segrega uma classe da sociedade.
Além disso, é válido salientar que a negligência governamental potencializa essa conjuntura. Esse cenário, entretanto, contraria o “Contrato Social”, do filósofo John Locke, o qual afirma que é dever do Estado garantir os direitos de todos cidadãos, inclusive à moradia digna.Como resultado, o acesso ao contexto social por aqueles que não têm seu privilégio assegurado, é diretamente prejudicado, e gera o isolamento e marginalização desses nas cidades. Logo, é notório que a omissão do Estado perpetua o deficitário acesso à cidadania.
Fica evidente, portanto, que mudanças são importantes para a atenuação da conjuntura brasileira. A princípio, cabe ao Governo Federal-em sua função de promotor do bem-estar social- em conjunto com as prefeituras das cidades, incluir a parcela excluída do contexto socioespacial, por meio da expansão de verba à parte arquitetônica menos favorecida dos municípios. Com esse fim, auxiliará na inclusão dos desprivilegiados, e o ideal de Milton Santos será, de fato, uma realidade.