A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 30/10/2023

Em meados do século XX, o escritor Stefan Zweig escreveu sua obra “Brasil, um país do futuro”, que logo se tornou uma espécie de lema para a nação verde-amarela. Entretanto, observa-se a exclusão social em meio a arquitetura hostil. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre os quais se destacam a desigualdade social e também a negligência governamental.

Em primeiro lugar, segundo Robert Lee, poeta estadunidense, “Antes de construir um muro, pergunto sempre quem estou murando e quem estou deixando de fora”. Dessa maneira, a frase do poeta relaciona tanto a desigualdade social, que impede que todos tenham as mesmas condições, quanto a falta de inclusão. Logo, é valido salientar que a arquitetura hostil visa a exclusão de uma parcela marginalizada da sociedade, visto que ela envolve elementos e projetos para criar desconforto, excluir e desencorajar indivíduos em situação de rua, restringindo seu acesso a determinados espaços públicos.

Ademais, constata-se a negligência governamental como uma das causas. Nesse contexto, para Bauman, algumas instituições atuam como “Zumbis”, pois perderam sua função social. Nessa ótica, tal teoria é constatada no território brasileiro, dado que a insuficiência legislativa e a desigualdade social são evidentes. Conforme a lei 14.489, se proíbe a arquitetura hostil na nação. Porém, a falta de efetivação legislativa e a inobservância às leis estão presentes no hodierno Brasil. Dessa forma, é nítido um tratamento desigual do governo levando em consideração a situação da sociedade, ou seja, uma vulnerabilidade social.

Portanto, tendo em vista os argumentos apresentados acerca da arquitetura hostil e seus mecanismos de exclusão social, é de suma importância que a mídia e o Estado- órgão responsável pelo bem-estar social- desenvolvam medidas efetivas, como palestras e fóruns sobre a problemática e uma maior fiscalização, melhoria na aplicatividade das leis e uma presença mais ativa do Estado e das autoridades responsáveis, de modo a conscientizar a população acerca do problema supracitado e minimizar este segregamento social. Somente assim, será possível a construção de um Brasil do futuro, perante a obra de Stefan Zweig.