A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 30/10/2023
No século XIX, o higienismo das cidades brasileiras em busca de afugentar epidemias e afastar a população mais pobre dos centros urbanos resultou na expulsão dos mais carentes de suas casas e a criação das favelas. Paralelamente, mostra-se na atualidade diversos vestígios de exclusão social por meio de políticas de arquitetura hostil, que expulsam sem-teto do centro urbano através da restrição de movimentos em vias públicas. Por conseguinte, ocorre na sociedade brasileira a violação dos direitos sociais previstos no Código Penal, como a assistência aos desamparados.
Primeiramente, é válido ressaltar que a utilização da arquitetura hostil nada mais é que um reflexo de como a sociedade enxerga os marginalizados. Tais fatos podem ser observados no documentário “Nossos Mortos”, que demonstra a negligência estatal perante tais seres. Da mesma maneira, a presença de pregos, barras de ferro e grades em locais possivelmente utilizados para o descanço, como bancos e janelas, expõe a falta de empatia dos moradores com seus compatriotas.
Ademais, vale ressaltar que a arquitetura hostil não se faz presente apenas nos cerceamentos de possíveis cômodos e camas improvisadas, como também na falta de infraestruturas que garantam lazer e descanso, como praças e banquetas. Consequentemente, têm-se uma infraestrutura que despreza aqueles com problemas de locomoção, e desincentiva a população à cuidar da saúde. Por isso, é imprescíndivel a existência dessas construções para alcançar a inclusão social.
Portanto, com o objetivo de criar uma arquitetura acolhedora, é fundamental que o Ministério das cidades direcione verbas para a criação de programas de auxílio aluguel para a população indigente a fim de retirá-los das ruas e a apresentação de palestras em ambientes educacionais, como escolas e universidades, para a conscientização das dificuldades da vida dos moradores de rua, gerando, desse modo, mais empatia. Também é essencial a criação de políticas públicas que promovam o bem-estar social, a partir da criação de de parques e locais para descanso. Assim, o Brasil conseguirá acolher sua população e erradicar preconceitos a respeito dos sem-teto.