A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 31/10/2023
Embora o artigo 3º da Consituição Federal de 1988 assegure o combate contra a pobreza e a marginalização, na prática é possível notar que a arquitetura hostil continua sendo um mecanismo de exclusão social no Brasil. Isso ocorre não só pelo poder no país ser exercido pelas elites, mas também por conta do Estado não buscar diminuir as desigualdades geradas pela proriedade privada.
A princípio, vale ressaltar que o sociólogo francês Pierre Bourdieu afirmava que, devido ao fato da elite ser dotada de capital político e econômico, ela dominaria as estruturas de influência e poder na sociedade, governando em favor de seus interesses. Tal fato contribui para a permanência da arquitetura hostil, visto que essa abordagem malévola prejudica os mais pobres e necessitados, ao passo que cria espaços públicos favoráveis às classes mais altas da sociedade.
Outrissim, o filósofo francês Rousseau declarava que a propriedade privada cria desigualdades sociais, e o papel do Estado seria diminuir essas diferenças para garantir o bem-estar geral. Essa visão defendida pelo intelectual mostrasse verdadeira ao observar-se que a arquiteturaé fortemente influenciada pela dinâmica social imposta pela má distribuição de capital. O problema principal, no entanto, se dá no governo brasileiro, que vergonhosamente não cumpre seu papel em atenuar tal hostilidade.
É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas pelo Governo Federal. Assim, o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania deve elaborar mecanismos de denúncia contra a arquitetura hostil, a fim de eliminar as obras já criadas segundo essa prática perversa. Além disso, o Estado também deve criar novos espaços urbanos voltados para os mais pobres, que via de regra são os mais afetados por essa má gestão do espaço público e, com isso, diminuir as lacunas entre pobres e ricos que existem no país. Dessa forma, o combate contra a marginalização prevista no artigo 3º da Constituição Federal de 1988 será verdadeiramente cumprida.