A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 04/11/2023
O sociólogo Zygmunt Bauman, em “vida para consumo”, crítica a forma como a sociedade descarta aqueles que não se encaixam no ideal de consumo. Essa conjuntura pode ser facilmente aplicada ao Brasil atual, visto que por mais que a “inclusão” dos seres seja um direito constitucionalmente garantido, a exclusão em decorrência da arquitetura hostil, se encontra presente. Isso ocorre não só pelo negligenciamento governamental, como também pelo processo de desarborizarão.
De início há de se constatar a débil ação do Poder Público diante dessa “arquitetura defensiva”, dado que impedem que moradores de rua possam usufruir de seus projetos para dormir ou até mesmo para que se abriguem. Essas implantações devem promover abrigo, descanso e bem estar nessas áreas e não excluí-los. O filósofo contratualista Jhon Locke disserta como uma violação do “contrato social”, uma vez que o Estado não cumpre com seus direitos indispensáveis para a sociedade. O que também afeta a natureza. Com construções em lugares que não fornecem um ambiente arejado.
Ademais, o meio ambiente vem sendo cada vez mais ameado. Porquanto, a arquitetura urbana também está em jogo, logo que construções em lugares que fornecem ar acabam prejudicando a sociedade. Em 2022, 15 mil pessoas morreram de calor na Inglaterra, segundo a OMS, isso não teria acontecido se houvesse “mais verde”. O Brasil não está tão longe dessa realidade, já que o calor estremo trará riscos a vida até 2050, de acordo com o g1.
Depreende-se, portanto, medidas necessárias para combater este impasse. É mister que o Poder Executivo, por meio do Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos criem projetos que facilitem moradias para moradores de rua, e campanhas em redes midiáticas para que a arquitetura hostil, de torne só “arquitetura”. Tornando negativa a afirmação de Bauman.