A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 31/10/2023

Na obra “Ensaio Sobre a Cegueira” do escritor José Saramago, numa cidade fictícia, centenas de pessoas começam a perder a visão aleatoriamente e com essa epidemia se alastrando, as pessoas começam a perder sentimentos como altruismo e empatia. Hodiernamente, na realidade brasileira, assim como na obra de Saramago as pessoas perderam o altruismo e empatia, com o ápice disso sendo a arquitetura hostil que se constitui de objetos que impossiblitiam que moradores de rua se acomodem em lugares para descansar. Nesse sentido, cabe analisar o que levou a perda desses sentimentos na sociedade: egoísmo e a desumanização.

Em primeiro lugar, o egoísmo, em grande parte, levou a perca dos sentimentos humanos básicos que levaram à construção da sociedade. Mas, será o egoísmo algo alheio à sociedade? Segundo Émile Durkheim, o egoísmo é, em grande parte um produto da sociedade. Então, nesse olhar, poderia ser que, a sociedade foi construída sob bases egoístas e que a arquitetura hostil é só uma maneira desse sentimento se manifestar na sociedade e isso leva a conclusão de que altruísmo e empatia nunca existiram na sociedade. No entanto, isso não é verdade, diariamente são noticiados casos de altruísmo e empatia nos jornais, como quando pessoas fazem doações de orgãos. Desse modo, é possível fazer as pessoas serem mais solidárias com as outras.

Outrossim, a desuminazação que é feita com moradores de rua leva a arquitetura hostil. Durante a Segunda Guerra Mundial, Hitler conseguiu fazer com que Judeus fossem desumanizados até o ponto em que as pessoas não se importavam com o que acontecia com eles e isso levou ao Holocausto. Portanto, esse tipo de arquitetura, com espinhos, barras e grades desconfortáveis só é possível quando não se enxerga o morador de rua como ser humano, algo como o que Hitler fez.

Conclui-se que para combater essa mazela que causa a exclusão social, a desumanização dos moradores de rua e o egoísmo majoritário devem acabar para isso, o Estado, por meio do Ministério da Educação, deve promover documentários sobre os malefícios o individualismo excessivo, isso em parceria com plataformas de streaming, e também documentários que promovam os aspectos humanos dos desabrigados, isso com finalidade de combater os causadores da arquitetura hostil.