A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 31/10/2023
Para a filósofa alemã Hannah Arendt, os apátridas estão sujeitos ao chamado de Estado de exceção, em que são excluídos e explorados. Nesse sentido, cabe enquadrar o método arquitetônico hostil, que tem como objetivo impedir que determinados grupos tenham acesso a certos espaços públicos. Logo, é necessário compreender os impactos gerados por esses projetos de caráter excludente, e de que maneira eles afetam a população brasileira.
Primeiramente, deve-se ressaltar que o problema acontece devido a falhas governamentais. Nesse contexto, o filósofo Platão afirma que “a política é a esfera para a realização do bem comum.”, o que não é levado em consideração por muitos estadistas. Isso ocorre, devido à falta de fiscalização das obras públicas, permitindo que haja irregularidades, por exemplo: bancos com divisórias que impedem os indivíduos de se sentar e deitar, há também os que possuem algum objeto pontiagudo ao seu redor para inibir a aproximação de pessoas. Por consequência, as pessoas sem teto são as mais afetadas, visto que são obrigadas a se retirar do local e buscar um novo abrigo.
Além disso, a influência midiática faz com que muitas pessoas adotem certas decorações sem reconhecer que esse item decorativo pode favorecer a criação de um cenário hostil, por exemplo, o uso de pedras para decorar ambientes externos, o que acaba por dificultar o fluxo na região onde foram colocadas devido a redução do espaço.
Portanto, é imprescindível que esse dilema seja mais discutido e eventualmente solucionado. Para isso, o Governo Federal, órgão de maior poder político nacional, deve unir-se ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, com o objetivo de criar projetos que promovam uma fiscalização mais rigorosa de obras públicas, a fim de interromper, e até mesmo, multar os responsáveis essas construções hostis. É necessário também que os meios midiáticos auxiliem na divulgação desses casos de hostilidade, e encorajem a população a denunciar essas práticas. Garantindo, assim, o direito de todos de circular livremente na cidade. Desse modo, afastando-se da reflexão proposta por Hannah Arendt.