A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 31/10/2023
O filme “À procura da felicidade” retrata a trajetória de um vendendor que vive no limite da pobreza com seu filho, e enfrenta dificuldades para se alimentar e também para encontrar locais de descanso, visto que não possui uma casa. Não longe da ficção, análogo à realidade, histórias como essa são comuns no país, de modo que o número de indivíduos em vulnerabilidade social é crescente e não há respaldo governamental. Com isso, por consequência, mecanismos de exclusão ainda são evidenciados, como a arquitetura hostil somado à ineficácia de políticas públicas.
Em primeira análise, para a filósofa Hannah Arendt, existe a “Banalidade do mal” que se caracteriza pelo mal presente socialmente, e como o invíduo tem a tendência em se acostumar e logo após ignorar fatos incrédulos. Sob essa perspectiva, a arquitetura hostil tem como objetivo, evitar o aparecimento de moradores de rua nos espaços sociais mais frequentados, como por exemplo, ponto de ônibus, o qual é segregado os assentos para que não se possa dormir no local.Assim, são mecanismos de exclusão presentes em espaços públicos já naturalizados pela população.
Em segunda análise, a Carta Magna, promulgada em 1988, garante direitos iguais a todos os cidadãos, principalmente o de moradia. No entanto, esse preceito não está sendo legitimado na prática, visto que existe uma parcela da população que está em situação de vulnerabilidade nas ruas. Sob esse viés, o indivíduo que não é visto com dignidade diante da sociedade é desrespeitado e invisibilizado diariamente.
Desse modo, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Para a conscientização da população urge que o Ministério da Cidadania crie, por meio de verbas governamentais, um programa nas escolas e centros públicos que detalhem a arquitetura hostil como um meio de exclusão social, incentivando que haja denuncia e retirada desses espaços.Somado à isso, faz se necessário também o cumprimento da constituição, através de orgãos públicos, que disponibilizem moradias e centros de acolhimento aos indivíduos.Somente assim, históriaas semelhantes ao filme não serão mais uma realidade no país.