A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 01/11/2023
Apartheid foi um regime implementado em 1948 na África do Sul que, através de placas proibindo pessoas negras de acessar locais públicos, segregava a população de acordo com sua cor. De modo análogo a essa situação, atualmente, por meio da arquietura hostil, muitas pessoas são excluídas de espaços urbanos. Nesse sentido, a configuração arquitetônica é usada como mecanismo para afastar pessoas em condição precária de espaços urbanos, evidenciando a desumanização enfrentada por elas. Dito isso, a fim de reverter esse cenário excludente, faz-se necessário analisar algumas de suas causas: a mentalidade social e a negligência estatal.
Em primeira análise, vale destacar como a mentalidade social contribui para essa problemática. Segundo o filósofo Habermas, o indivíduo é contaminado por uma visão de eficiência, em que o valor pessoal está proporcionalmente relacionado ao valor econômico que ele produz. Nessa lógica, portanto, moradores de rua desempregados são pessoas desvalorizadas para a sociedade. Sendo assim, a estigmatização de moradores de rua contribui para a criação de uma arquitetura que objetiva afastá-los de espaços de circulação social.
Ademais, essa visão econômica não atinge somente a sociedade, como também atinge a instituição estatal. Historicamente, a coroa inglesa incentivou a abolição da escravatura no Brasil a fim de aumentar o mercado consumidor inglês. Paralelamente a isso, o Governo dispõe cidadania a quem lhe traz vantagens, como impostos por exemplo. Dessa forma, o Estado contraria a constituição de 1988, a qual propõe direitos básicos, inclusive o de moradia, a todos os brasileiros. Assim, pessoas que não tem condições de consumo são negligenciadas pela instituição e, para acentuar a exclusão, são rejeitadas pela própria configuração espacial.
Depreende-se, portanto, medidas para solucionar a mentalidade social e a negligência. Para tal, é dever do Governo, por meio de parcerias com redes hoteleiras, propiciar abrigo temporário e rotativo aos moradores de rua de todo o país. Ademais, o Ministério da Educação deve promover aulas de sociologia que visem incentivar o combate a arquitetura hostil das cidades. Com essas ações concretas, a cidade não será mais segregacionista.