A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 11/06/2024
Com a crescente urbanização, a partir da segunda metade do século XIX, os grandes centros urbanos criaram espaços destinados ao lazer, praças, parques etc. Porém, com o aumento do custo de vida, muitas pessoas, por não terem condições de arcar com um aluguel, começaram a viver nas ruas, utilizando os bancos das praças - principalmente - para dormir de noite, e assim foi até meados do século XXI, quando a arquitetura hostil ganhou espaço nas grandes cidades brasileiras, principalmente em São Paulo. Nesse contexto, a desigualdade social e a manutenção de preconceitos são fatores que tornam a arquitetura hostil uma infeliz política presente na sociedade brasileira.
A princípio, vale ressaltar que a desigualdade social é a raiz de inúmeros problemas na sociedade - incluindo a arquitetura hostil. Isso ocorre porque com o avanço do capitalismo, a sociedade se torna mais egoista, pensando muito em bens de consumo, e pouco em tratar o próximo, que talvez não tenha um lar, com empatia, o que acaba tornando o modelo de arquitetura vigente um segregador, sendo um apartheid ( regime segregador que ocorreu na Africa do Sul, separando brancos e negros no século XX ) camuflado. Dessa forma, é necessário reduzir as desigualdades presentes, para assim acabar com a política da arquitetura hostil.
Além disso, a manutenção de preconceitos raciais contribuem com exclusão da população de rua. Um exemplo, são os programas - Brasil urgente, Cidade Alerta- que ao invés de agir retirando estigmas da sociedade, colocam ainda mais, animalizando usuários de drogas, tratando-os como se não fossem humanos. Esses programas, fortalecem a política da arquitetura excludente, uma vez que fazem a sociedade acreditar que colocando divisórias em bancos, vai afastar o ‘’problema’’. Contudo, para resolver os problemas, é necessária a criação de políticas de acolhimento e não punitivas, de exclusão.
Diante do exposto, é urgente que haja a redução das desigualdades vigentes no País. Logo, a fim de promover a erradicação da arquitetura hostil, o governo federal deve, por meio da retirada de objetos hostis dos locais públicos - divisórias de banco, blocos afiados das pontes, promover a reinserção e o acolhimento dessa população na sociedade, de forma digina - garantindo o direito de ir e vir.