A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 01/11/2023
Assim afirma o filósofo Aristóteles em sua obra “A política”: a salvação de uma comunidade é uma responsabilidade de todos. Contudo, a prática da arquitetura hostil não condiz com esse pensamento desse grande influenciador da filosofia ocidental. As estruturas sociais contemporâneas, construídas ao longo da história, com base numa concepção ética individualista do capitalismo, reforçam a naturalização das diferenças sociais e, com isso, impede que, esta, seja vista como um mecanismo de exclusão social.
Nesse sentido, cabe ressaltar o quanto a falta de empatia no pensamento coletivo pode ser prejudicial, principalmente, para aqueles que estão em uma situação desfavorecida socialmente, por exemplo, os moradores de rua. Para isso, podemos citar o caso recente na capital São Paulo, onde a prefeitura mandou instalar pedras pontiagudas debaixo de um viaduto, alegando ser para conter o lixo. Mas ficou claro que eram para espantar as pessoas que ali se abrigavam. Isso repercutiu tão negativamente, no mínimo como falta de humanidade, que a mesma mandou retirar imediatamente as pedras. Entretanto, precisou ganhar os holofotes da mídia para ser enxergado pela sociedade.
Outrossim, é imprescindível destacar a importância de ter espaços públicos que promovam a interação social e acolham aqueles que usam esses lugares. Dessa forma, esse tipo de prática não pode ser aceito numa conjuntura de uma sociedade que busca qualidade de vida e bem-estar social, bem como, também, a garantia dos direitos humanos para todos os indivíduos que a compõem. Assim, esta problemática deve ser enxergada pela população.
Portanto, para se construir uma consciência coletiva desse problema, é necessário que o Estado, ciente desse problema, formule uma legislação para coibir esse tipo de prática. Ademais, promover campanhas informativas, usando a capacidade influenciadora das mídias, dos abusos que esta prática pode ocasionar. Decretar que as escolas promovam palestras e campanhas para os jovens sobre essa problemática, prevenindo, assim, que estes venham a apoiar ou até mesmo executar essas ações anti-sociais. Dessa maneira, poderemos ter uma sociedade mais justa, igualitária e acolhedora.