A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 01/11/2023
Na Primeira Revolução Industrial, muitas pessoas foram atraidas para trabalhar nas indústrias inglesas, o que fez surgir vilas com poucsa infraestruturas, pois não existia moradias adequadas e uma parcela de indivíduos viviam nas ruas, situação que demonstrava a presença de uma exclusão social. Análogo a essa realidade, discute-se, atualmente, no Brasil, a presença de uma estrutura hostil geradora de exclusão social nas cidades do país, fato muito parecido com o que ocorria nos vilarejos ingleses do século XVIII. Nesse sentido, afirma-se que tal discussão tem co-mo causa uma construção histórica, além de ser reflexo da negligência do Estado.
Em primeira análise, a presença de uma estrutura hostil no ambiente urbano tem como causa inicial a construção histórica do país. Isso é notório no governo de Rodrigo Alves, presidente do Brasil eleito em 1902, uma vez que, no seu mandato, teve início uma reforma do Rio de Janeiro com o objetivo de modernizar a cidade, e assim, muitos indivíduos foram expulsos para as periferias, pois tiveram suas casas derrubadas em nome da modernização, fato que permitiu o crescimento de favelas. Nesse contexto, esses locais cresceram sem planejamento adequado, o que reflete, atualmente, na exclusão social de seus moradores, os quais, infeliz-mente, não tem acesso a princípios básicos, como saneamento básico e moradia adequada, situação a qual confirma a presença de uma estrutura urbana hostil.
Ademais, a negligência do Estado é outro fator que causa a problemática. Essa a-firmativa é perceptível ao analisar o transporte público nas cidades, que é marca-do, por exemplo, com ônibus sucateados, os quais transportam, no chamado mo-vimento pendular, milhares de trabalhadores de forma desumana, visto que mui-tos viajam em pé devido a lotação do transporte. Dessa forma, observa-se uma estrutura hostil e excludente até no transporte público, situação que é reflexo da presença de um poder público passivo que não busca promover o bem social.
Conclui-se, portanto, que existe uma arquitetura hostil e excludente nas cidades, a qual deve ser resolvida. Diante disso, o Estado, o qual exerce forte influência no indivíduo, deve, por meio das finanças públicas, investir na infraestrutura urbana, como disponibilizar transporte público de qualidade, além de saneamento básico e moradias adequadas para as favelas, a fim de promover a inclusão social urbana.