A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 01/11/2023

O filósofo francês, Sartre, defende que a liberdade de escolha é inerente ao ser humano, conferindo-lhe a responsabilidade sobre suas ações. No entanto, ao observarmos a questão da arquitetura hostil (estruturas que visam o afastamento de certos grupos de pessoas), constatamos a irresponsabilidade da sociedade brasileira. Isso se evidencia não só pela segregação social deliberada, mas também pela mentalidade deficitária.

Diante desse cenário, é válido destacar o planejamento urbano como mecanismo segregacional. Em São Paulo, mais de 20 mil indivíduos vivem em situação de rua ou recorrem a albergues, segundo pesquisa veiculada no site Globo. Nesse viés, essa situação precária é agravada pela tentativa de exclusão velada por parte do Estado, por meio de estruturas arquitetônicas que dificultam a acomodação, como bancos não ergonômicos e, até mesmo, elementos que simulam intenções artísticas, mas que, na realidade, são uma forma de afastar pessoas vulneráveis.

Além disso, ressalta-se a ignorância sobre o tema como um grande obstáculo para medidas efetivas. George Berkeley, filósofo irlandês e autor da frase “ser é ser percebido”, propõe que, para que algo seja real, é necessário ser notado. Sob essa ótica, a negligência da sociedade advém do desconhecimento dessa prática de usar a arquitetura como ferramenta de segregação social. Essa lacuna de informação dificulta a capacidade da sociedade de pressionar por mudanças junto aos órgãos governamentais e também enfraquece a habilidade das pessoas em adotar uma perspectiva crítica sobre o atual cenário brasileiro.

É evidente, portanto, a necessidade de mudanças estruturais para combater a arquitetura hostil. Nesse sentido, o Governo Federal em parceria com instituições privadas, deve revisar seu planejamento urbano, garantindo que todos os locais que utilizem essa prática sejam reformados para se tornarem ambientes mais acolhedores para todos. Ademais, canais midiáticos devem desenvolver campanhas, financiadas com verbas governamentais, que esclareçam o que é esse mecanismo condenável e forneçam meios para identificá-lo. Espera-se, com isso, uma redução na precariedade das condições de vida para as pessoas em situação de rua e uma população mais engajada no desenvolvimento social do país.