A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 01/11/2023
Na célebre obra, “Capitães de areia”, de Jorge Amado, retrata a vida de menores em situação de rua que lutam pela sobrevivencia nas ruas de Salvador. Fora da ficção, nota-se que tal representação perpetua até os dias atuais quando se trata da implementação da arquitetura hostil e como tais elementos governamentais surgem como forma de exclusão social. A partir desse contexto, é válido compreender o que motiva, bem como o maior impacto da arquitera hostil na sociedade.
Nesse sentido, é inegável que o histórico desinterese político e econômico fomenta a prática de inserção das políticas arquitetônicas de exclusão de pessoas em situação de rua. Isso acontece porque existe uma minoria que detém o poder social e político, as quais, muitas vezes, são lideradas por núcleos que tem a cultura de gerir o Estado como um patrimônio privado para crescimento individual. Essa teoria é estudada pela jornalista Eliane Brum , ela argumeta como a arquiterura hostil não resolve o real problema, mas tem como base os interesses políticos, que só contribuem com a perpetuação das desigualdades.
Em consequência disso, ocorre a manutenção de uma espécie de “utopia social’ que está relacionada com a questão urbana. Isso ocorre pois, existe a ideia de um país socioeconomicamente perfeito, amparado em um discurso de sociedade ideal, quando, na verdade, observam-se graves e antigos problemas sociais, por exemplo a implementação de uma arquitetura de caráter excludente. Assim, como durante a República Velha, o governo do Rio de Janeiro, incomodado com a proximidade da pobreza do centro urbano, mandou destruir as casas das pessoas menos favorecidades, com o objetivo de maquiar uma sociedade historicamente discrepante.
Portanto, a implementação de uma arquitetura de caráter hostil é um reflexo da sociedade brasileira. Para isso, é fundamental que o Poder Executivo Federal, mais especificamente o MInistério do Planejamento, crie políticas públicas que visem a inclusão social dos menos favorecidos. A fim de diminuir as disparidades socias e consolidar direito à moradia dos cidadãos. Dessa forma, o Estado poderá gerir, de fato, com interesses de crescimento coletivo.