A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 02/11/2023
“Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”. Na música “Que País é Este?”, da banda Legião Urbana, há a denúncia acerca de diversos problemas sociais. No cenário atual brasileiro, isso pode ser observado na medida em que a displicência governamental e o individualismo perpetuam a arquitetura hostil como forma de marginalização socioeconômica. Nesse sentido, faz-se imprescindível remediar esse imbróglio em prol da plena harmonia social.
É válido destacar, a princípio, a inoperância estatal, enquanto mantenedora da problemática. Por conseguinte, segundo Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, o Brasil é marcado pela ausência da aplicação prática dos mecanismos legais, como a Constituição de 1988. Dito isso, nota-se que a arquitetura hostil vai ao encontro do panorama postulado pelo jornalista. Essa situação ocorre de tal forma que pessoas em condições precárias, como “moradores de rua”, ao invés de encontrar na máquina pública o amparo que necessitam e o qual é assegurado pela Carta Magna, deparam-se com construções públicas que agravam sua segregação social.
Ademais, a fragmentação dos laços afetivos é outro desafio que incentiva a arquitetura hostil. Nesse âmbito, consoante o filósofo Zygmunt Bauman, em sua tese “Modernidade Líquida”, a contemporaneidade é caracterizada pela volatilidade em relação aos direitos e deveres constitucionais, bem como é denunciado na canção “Que País é Este?”. Isso é pertinente, visto que vários indivíduos, ignorantes às mazelas sociais, são passivos diante das injustiças que afetam os chamados “sem-teto”. Tal contexto impede a resolução do entrave e acentua a condição dos invisíveis sociais perante o governo e o coletivo.
Logo, torna-se vital aplicar medidas que visem enfrentar esta precária conjuntura. Em vista disso, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania- órgão responsável por implementar políticas em busca do bem-estar social- criar campanhas públicas contra a arquitetura hostil. Tal ação irá ocorrer através da divulgação em meios de comunicação em massa, urgindo a população a denunciar casos de construções hostis em seus municípios. O fito do projeto é remediar não somente a omissão governamental, mas também a complacência da nação.