A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 02/11/2023
João Grilo um dos protagonistas de “O Auto da Compadecida”, pensonagem astuto de Ariano Suassuna, critica as imperfeições do mundo ao afirmar: “A vida é um punhado de injustiças misturadas com uma porçãozinha de esperança”. Essa visão revela-se acertada quano se observa a arquitetura hostil como potencializadora da exclusão social. Sendo assim, nota-se um paradigma de contornos específicos tanto pela negligência Estatal quanto pela alienação social.
Em primeiro lugar, deve-se analisar a inoperância governamental como fator agravante do desabono comunitário causado pela arquitetura defensiva. Sob esse óptica, segundo o geógrafo Milton Santos, em seu texto “Cidadanias Mutiladas”, a cidadania só alcançara sua plenitude quando todos os direitos do corpo social forem desfrutados. Todavia, a passividade do Estado distancia a população do seu direito constitucionalmente garantido pela Lei 14.489, que proibe estruturas que objetivam afastar pessoas, à medida que elas em situação de pobreza e fragilização não podem descançar em calçadas e em logradouros. Dessa forma, enquanto a máquina publica negligenciar suas responsabilidades, o problema perdurará.
Outrossim, é crucial salientar a culpa de parte da população à degradante circunstância. A filósofa alemã Hanna Adrent em seu coceito de “Banalidade do Mal”, reflete sobre o processo de massificação da sociedade, que forma indivíduos incapazes de realizar julgamentos, tornando-se alienados que ignoram problemas que atingem grupos minoritários. O conceito da pensadora pode estar relacionado à estigmação das pessoas que vivem nas ruas, enquanto há falta de debates e informações acerca da realidade desses indivíduos. Logo, esse panorama deve mudar.
Portanto, diante do exposto, denota-se urgência de medidas governamentais que alterem esse quadro. Contudo, cabe ao Estado- em seu papel de promotor do bem-estar social- a fiscalização rigorosa, mediante policiais e guardas que multem e prendam proprietários de espaços com design antimendigo, a fim de executar a lei vigente. Paralelamente, é papel da mídia brasileira, colocar o tema em pauta discutindo e estimulando a visibilidade, para alcaçar o interesse social. Somente assim, João Grilo e os moradores de rua obterão a esperança.