A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 02/11/2023

“O cidadão invisível” trata da desvalorização de alguns indivíduos na sociedade brasileira. De fato, a crítica de Dimenstein é verificada na arquitetura hostil como macanimso de exclusão social, que ocorre, excluindo - mais ainda - a população que não tem onde dormir. Nesse sentido, observa-se um delicado problema, que tem como causas a exclusão social e a ineficiência governamental.

Dessa forma, em primeira análise, a exclusão social é um desafio presente no problema. Djamila Ribeiro explica que é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Porém, há um silenciamento insaturado na questão da arquitetura hostil, visto que ela trata de esconder uma realidade muito presente no Brasil, colocando pedras debaixo de viadutos e diminuindo o tamanho dos bancos para afastar populações vulneráveis, ou seja, varrendo-as para debaixo do tapete. Assim, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a pensadora.

Em paralelo, a ineficiência governamental é um entrave no que tange ao problema. Para Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. Tal constatação é nítida no mecanismo de exclusão social, visto que o governo falha em sustentar sua fala quanto às terras sem função social, já que, em São Paulo, por exemplo, existem mais casas sem gente do que gente sem casa. Assim, para que tal bem-estar seja usufruido, o Estado precisa sair da inércia em que se encontra.

Portanto, é indispensável atuar sobre esse problema. Para isso, o Estado deve criar políticas públicas, por meio de investimentos na arquitetura como mecanismo de exclusão do país, a fim de reverter o afastamento social que impera. Tal ação pode, ainda, contar com pesquisas públicas para entender e priorizar as reais necessidades da população vulnerável. Do mesmo modo, é preciso intervir sobre a ineficiência governamental presente no problema, criando estratégias para que as pessoas tenham onde dormir e morar diminuindo uma necessidade supérflua de sequer existir uma arquitetura hostil. Dessa forma, será possível que os cidadãos invisíveis comecem a serem vistos.