A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 03/11/2023
Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), arquitetura hostil são os ele-mentos urbanos criados para evitar o uso público de determinados espaços. Tal cenário, quando presentes nas cidades, segrega certos grupos sociais. Por isso, a arquitetura hostil é um mecanismo de exclusão social, porque ela impede a partici-pação efetiva de certas pessoas na sociedade e reforça estigmas sociais negativos.
Primeiramente, nota-se que o impedimento da participação efetiva de alguns grupos na sociedade, se deve, principalmente, pois esses elementos hostis desen-corajam a ocupação dos espaços por determinadas pessoas. Exemplificando isso, cita-se os bancos com divisórias em praças ou os gotejamentos de água monitora-dos embaixo de marquises de prédios, que impedem a permanencia prolongada de uma pessoa. Algo parecido foi observado na cidade de São Paulo, em 2021, quando a prefeitura colocou pedras pontiagudas debaixo de um viaduto na Zona Leste, para dificultar que moradores de rua ficasse ali, e, devido a má repercursão do caso, foi obrigada a retira-lás. Logo, percebe-se que a arquitetura hostil impede que parte da população usufrua de determinados locais públicos.
Ademais, outra consequência é o reforço de estigmas sociais negativos, que estimulam o rebaixamento de certas pessoas, por serem consideradas inferioires. Esse é o cenário enfrentado pelas camadas excluídas da sociedade, que, por não viverem de acordo com as normas tradicionais, vem seus direitos violados. Sob esse viés, cita-se o livro “Quarto de despejo”, em que, a narradora e catadora de papel, Carolina Maria de Jesus descreve a forma como os moradores da favela do Canindé eram excluídos da coletividade e ficavam restritos apenas ao local que já ocupavam, pois eram mal vistos em outros ambientes. Desse modo, nota-se que esses estigmas só segregam mais ainda uma parcela já relegada pela sociedade.
Portanto, é necessário uma intervenção diante desse cenário. Destarte, o Governo Federal, por meio do Poder Legislativo, deve criar leis que proibam a arquitetura hostil e retirem aquelas já existentes, sendo que, os estabelecimentos e cidades que descumprirem isso, deveram pagar uma multa. Dessa forma, se integrariam os diferentes grupos sociais e, consequentemente, quebrariam-se os estigmas sociais envolvendo eles, diminuindo, assim, a exclusão social.