A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 03/11/2023
No texto “Transatlantismo” o escritor pré-modernismo Lima Barreto explicitou o sentimento dos residentes de “não pertencer” ao Brasil no século XX. Hodiernamente, essa sensação persiste, uma vez que arquitetura hostil é utilizada para proporcionar a exclusão social. Em face a essa problemática, a questão econômica e negligência estatal convertem residentes em forasteiros de sua nação.
A princípio, vale salientar que a população afetada pela infraestrutura excludente são as moradores de rua e sua condição é decorrente do sistema de economia. Isso acontece devido à noção de moradia como bem de consumo, e não como direto, que sofre com imposições de mercado, sendo inacessível para indivíduos mais carentes. Nessa conjuntura, essa parcela da população que não obtém habitação, pois dificilmente podem bancar, acaba usufruindo da infraestrutura para adquirir uma miníma qualidade de vida. Em oposição, a arquitetura hostil surge como forma de impedir a presença daqueles que não esforçaram-se o suficiente para ter uma residência. Dessa forma, um paradigma essencial para o bem-estar acaba inviabilizado.
Soma-se isso, à passividade do governo em lidar com essa situação. Segundo o teórico político Thomas Hobbes, a relação entre Estado e Sociedade define-se por um contrato, no qual a Instituição assume o compromisso de garantir o bem-estar. Todavia, isso não ocorre no Brasil, por causa apatia das autoridades em acabar com a arquitetura excludente, visto que não promove solução para a questão supremencionado e ,em muitos casos, atua como financiador desses projetos. Indubitavelmente, essa falha colabora para a persistência do problema.
Portanto, com base nos elementos supracitados, é necessária a intervenção estatal. Destarte, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social promover moradias, por meio da construção de habitações com o auxílio dos beneficiários interessados, a fim de remover a população das ruas. Também, é dever desse órgão, impedir o financiamento do projetos hostis, por intermédio da fiscalização que exija função social e inclusiva nas arquiteturas . Dessa modo, o Governo estabelecerá uma administração eficiente . Assim, o Brasil vai acabar com exclusão e deixar a crítica de Lima Barreto apenas para o passado.