A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 03/11/2023
O filósofo brasileiro Raimundo Teixeira Mendes, em 1889, adaptou o lema positi-
vista “Ordem e Progresso” não só para Bandeira Nacional, mas também para a na-
ção que, no contexto atual, vem ampliando a falta de altruísmo, na qual os indiví-
duos estão se preocupando cada vez menos com o bem-estar coletivo, desse modo, gerando significativos problemas para o desenvolvimento do país. Lamenta-
velmente, entre eles, a exclusão causada pela arquitetura hostil, uma vez que tal postura reprensenta uma antítese à máxima do símbolo pátrio. Esse lastimável pa-
norama é calcado na inoperância estatal e tem como consequência a negligência de direitos oferecidos a todos os cidadãos, e o preconceito social.
Em uma primeira análise, nota-se a inoperância estatal como fator agravante dessa exclusão social no Brasil. De acordo com o geógrafo Milton Santos, em sua obra “As Cidadanias Mutiladas”, a cidadania atinge a plenitude de sua eficácia quando os direitos do corpo social, em sua totalidade, são homogeneamente des-
futados. Todavia, atualmente, a passividade do Estado distancia pessoas sem moradia, dos direitos constitucionalmente garantidos, causando dessa maneira, a exclusão social desses grupos. Dessa forma, enquanto a máquina pública omitir sua responsabilidade, o problema perdurará, e os direitos continuarão mutilados.
Ressalta-se, ademais, que o preconceito social potencializa esse cenário. Nesse viés, é notório que a maioria das pessoas de média ou alta renda, carregam com elas o preconceito com esses grupos, simplesmente pela sua aparência ou modo de viver, agravando ainda mais esssa exclusão. Em decorrência disso, mantém-se o quadro de ausência de ações sociais efetivas no que tange à reversão desse con-
texto, fragilizando, com isso a cidadania do país. Logo, é imprescindível combater esse preconceito, visto que é uma das causas fundamentais do problema.
Diante do exposto, denota-se a urgência de propostas governamentais que alte-
rem esse quadro. Portanto, a fim de conscientizar a população e prezar pela igual-
dade social, cabe ao Estado -em sua função de protetor do bem-estar social-, pro- mover campanhas contra a arquitetura hostil e a exclusão social, por meio da mídia -instrumento de grandes abrangência-. Somente assim, com a conjuntura de tais ações os brasileiros verão o progresso referido na Bandeira Nacional Brasileira.