A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 03/11/2023
No conto “O sonho de um homem ridículo”, Fiodor Dostoiéviski apresenta a história de um personagem que, em um sonho, se encontra em uma sociedade perfeita, livre de problemas sociais. Fora do enredo ficcional, no entanto, a conjuntura brasileira opõe-se a idealizada por Fiodor, uma vez que, a arquitetura hostil atua como mecanismo de exclusão coletiva no Brasil. É preciso, desse modo, analisar as principais causas dessa adversidade: a negligência governamental e o silenciamento civil.
Nesse contexto, é preciso discutir a cooperação do Poder Público para a permanência dessas estruturas hostis no Brasil. A respeito disso, o célebre sociólogo Zygmunt Bauman, em seus estudos acerca da Instituição Zumbi, denuncia que algumas instituições, como o Estado, apesar de existirem, perderam a sua função social. Sob essa perspectiva, observa-se uma congruência entre a ideia de Bauman e a realidade brasileira, uma vez que os órgãos estatais, que deveriam fiscalizar e impedir a prática dessas construções, mostram-se inertes para solucionar esse panorama. Logo, torna-se evidente que a ineficiência governamental representa um fator preponderante no que diz respeito a superação desse lamentável quadro.
Ressalta-se, ademais, que a impassibilidade social contribui para a persistência desses projetos excludentes. Nesse contexto, o intitulado “Paradoxo da Moral” é um livro escrito pelo filósofo francês Vladimir Jankélévitch para exemplificar a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade das pessoas frente aos impasses enfrentados pelo próximo. Analogamente, percebe-se que essa forma de segregação encontra um forte alicerce na estagnação social. Essa situação ocorre porque, infelizmente, a sociedade não se movimenta em prol da erradicação dessa problemática; pelo contrário, adquire uma posição individualista. Nessa perspectiva, a mudança do comportamento coletivo é vital para superar esse paradigma.