A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 03/11/2023
“A violência é sempre uma derrota”. A frase dita pelo sociólogo Jean-Paul Sartre retoma as injustiças relacionadas tanto à violência moral quanto a física. O Brasil contemporâneo apresenta um problema em questão relacionado à arquitetura hostil, que tem sido usada como mecanismo de exclusão social. Tal fator decorre tanto pela banalização da problemática vinda por parte dos governantes dos centros urbanos, quanto pelas raízes históricas de desigualdade entranhadas na população brasileira.
Primeiramente, é indispensável citar que a arquitetura hostil é um reflexo do descaso governamental contra as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade, o que gera como resultado a marginalização e exclusão desses indivíduos pelo resto da sociedade. Zygmunt Bauman, em seu livro “Vida para consumo”, critica a forma como os cidadãos em situações de vida precárias são segregadas por não se encaixarem no tipo ideal de consumo que move os sistemas capitalistas.
Paralelo a isso, é relevante ressaltar que a cultura inserida na federação interfere drasticamente no modo como o grupo social enxerga este contexto; esta ocorrência é explicada e contextualizada no livro pós modernista “Quarto de despejo” da autora Carolina Maria de Jesus, que expõe ao decorrer de sua obra o fato relacionado à década de 1950, quando as cidades começaram a aumentar exorbitantemente e mesmo assim, políticas públicas voltadas para a moradia e qualidade de vida dos trabalhadores era inexistente; o que explica o aumento da aparofobia com o passar das décadas.
Logo, medidas operantes são necessárias para que a arquitetura hostil deixe de ser um modo de exclusão na sociedade brasileira. Para que isso aconteça, é dever da Organização das Nações Unidas fiscalizar de forma mais rígida o funcionamento dos direitos humanos no Brasil, analisando a situação de vida garantida para os indivíduos que residem no país; competindo também ao presidente da república retomar o projeto “Minha casa, minha vida”, que restaurou a dignidade de muitas famílias brasileiras, para que mais pessoas tenham esse acesso na contemporaneidade. Assim, o Brasil acabará com o preconceito de classes.