A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 03/11/2023

O Urbanismo é uma disciplina do conhecimento cujo o enfoque é, teoricamente, a busca por estratégias para melhorar o espaço das cidades para a vivência humana. Porém, encontramos a problemática, no Brasil, de uma arquitetura hostil que violentamente exclui segmentos vuneráveis da sociedade, como moradores em situação de rua, da convivência e uso do espaço público.

Nesse sentido, essa antipatia arquitetônica se expressa porque, no Brasil, o Estado apenas se importa e está presente para as classes mais ricas da população. E, dessa forma, privilegia o espaço privado contra a público. Ou seja, as barras no meio de bancos e grades ao redor de espaços públicos demonstram um Estado que não interfere ou ajuda a camada social mais pauperizada, como os moradores de rua. Isto é, o Estado de Thomas Hobbes, definido como aquele que deve promover o progresso de toda a coletividade, está omisso. Além disso, apenas os interesses de desejo por segurança das classes dominantes estão sendo considerados e, consequentemente, se manifestam na arquitetura hostil.

Ademais, a filosófa Simone de Beauvoir descreveu o conceito de invisibilidade social em que certos grupos sociais são cronicamente ignorados pela sociedade. Assim sendo, as pessoas em situação de rua são cruelmente expulsas dos espaços públicos por meio da arquitetura hostil ao invés de sua falta de moradia ser considerada um problema a ser refletido, enfrentado e resolvido por via do direito à moradia para todos.

Assim, é necessário resolver esta problemática. Logo, o Estado precisa investir em moradias para todo o povo brasileiro, por meio do Ministério do Desenvolvimento Regional e do Ministério do Planejamento e Orçamento, para garantir o direito a moradia assegurado pela Constituição Federal do Brasil. Então, todos os cidadãos terão o seu direito básico de moradia respeitado e defendido por via da justiça social. E, também, o urbanismo brasileiro será verdadeiramente a área do conhecimento que procura e desenvolve o melhor espaço urbano possível para todos. Como disse o filosófo Confúncio: “Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros.”