A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 04/11/2023
Consoante aos juízos do filósofo holandês Espinosa, ser livre significa agir de acordo com a natureza individual e, concomitantemente, está associada à noção de responsabilidade, já que o ato de ser liberto implica assumir suas próprias ações. Não obstante, quando se observa a arquitetura hostil como mecanismo de exclusão, nota-se a negligência social proveniente dessa liberdade. Logo, a problemática persiste interligada à dificuldade legislativa em assegurar as leis e à desigualdade social.
Em primeiro plano, é preciso destacar o descaso governamental como um agravador do problema. De acordo com o filósofo Hegel, o Estado é um pai e tem o dever de proteger os seus filhos. Contudo, essa realidade não é verdadeira, visto que a constituição promete uma vida digna a todos os seus cidadãos, mas isso não acontece quando analisamos a arquitetura hostil presente no âmbito brasileiro. Dessa maneira, é notório como a falta de conscientização da população acerca dos seus direitos, tem aumentado o número de pessoas em situação de rua que não encontram locais seguros e confortáveis para necessidades básicas.
Ademais, as desigualdades sociais são um dos principais potencializadores para que exista a arquitetura hostil. Sob esse víeis, desde o período colonial, o país foi submetido a priorização do colonizador em detrimento do povo colonizado, refletindo em consequências que são visualizadas até os dias atuais, como por exemplo, a maior quantidade de oportunidades para alguns. Desse modo, enquanto as desigualdades sociais na sociedade não chegarem ao fim, o impasse continuará existindo.
Portando, o governo, como órgão garantidor dos direitos dos indivíduos, deve, por meio do dinheiro de impostos, organizar um projeto em concordância com o Sistema legislativo, que promova a importância das leis, tornando a efetivação delas uma realidade vigente. Além disso, é necessário que esse projeto divulgue a necessidade da conscientização populacional sobre os seus direitos civis, terminando com as desigualdades sociais. Por fim, a arquitetura hostil deixará de ser um mecanismo de exclusão social e o ser humano usufruirá de sua liberdade para realizar o bem comum.