A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 28/11/2023

John Locke, filósofo inglês, destaca que é dever do Estado assegurar os direitos e bem-estar da população. Todavia, em virtude da arquitetura hostil como mecanis-mo de exclusão social ser uma realidade na sociedade brasileira, é válido reconhe-cer como o Poder Público não atua de modo efetivo e, pior, não exerce seu papel social confome os ideais de Locke. Nessa lógica, pode-se analisar a negligência Estatal e a falta de representatividade como impulsionadores do problema.

Em primeira análise, percebe-se que negligência Estatal fomenta a permanência do entrave na sociedade, dado que o governo não tem disponibilizado o direito de moradia a todos os cidadãos, favorecendo para o crescimento da quantidade de pessoas em situação de rua e o aumento da exclusão social, tendo em vista que esses cidadãos já são tratados com inferioridade e a arquitetura hostil tem motivado ainda mais essa exclusão. Essa conjuntura, segundo John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como à moradia, o que infelizmente é evidente no país.

Além disso, vale ressaltar a falta de representatividade como fator que dificulta a atenuação do empecilho, visto que a população não tem se pronunciado e se manifestado sobre a arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social, contri-buindo para a persistência do problema, já que com o silênciamento da sociedade, o governo não se preocupará em resolver a questão. Segundo Pierre Bourdieu, sociólgo francês, a sociedade incorpora as estruturas socias, ou seja, os indivíduos incorporam pensamentos difundidos ao longo dos anos e os reproduzem com naturalidade. Isso pode ser verificado com a arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social, já que a população adequada e acostumada com esse cenário permite que problemática supracitada continue em evidência.

Urge, portanto, a adoção de medidas para combater o problema. Nesse sentido, o Poder Público precisa garantir o direito à moraria a todos os cidadãos, por meio de projetos, os quais ofereçam casas aos moradores de rua, para que todos os cidadãos tenham uma moradia digna e que a arquitetura hostil não seja mais um mecanismo de exclusão social.