A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 08/01/2024

Arquitetura hostil é um instrumento, em tese, usado para evitar comportamentos indesejados nas cidades, tais quais: roubos e crimes de vandalismo. Pórem, o que deseja mostrar-se como estratégia para manutenção da ordem, pode, na verdade, revelar-se como ferramenta que, infelizmente, corrobora a exclusão social e por isso, deve ser repensada.

Inicialmente, segundo a Ciência Geográfica, “cidade” é o espaço resultante da interação e convívio de todo o povo consigo e com o meio. Nesse sentido, deve-se levar em conta que nesse espaço há, naturalmente, pessoas em vulnerabilidade social, as quais que se utilizam dele para buscar sustento e até mesmo moradia, mesmo que não- convencionais. No entanto, contrariando o preconizado pela Geografia, quando a arquitetura hostil é posta em prática, valendo-se de divisórias em bancos públicos, grades em praças de lazer ou cascalhos pontiagudos sob viadutos, ela está, sim, vedando o acesso à cidade à uma parcela considerável da população o que não só desvenda um caso de exclusão social, mas também contribui, lamentavelmente, com a periferização urbana.

Sob essa ótica, é notável que o Governo deve,então, incorrer à outras providências para coibir a violência urbana que não a arquitetura hostil já que essa se mostra excludente e somente mascara a irresolução de um problema social maior: a desigualdade social. Consoante, a teoria da escritora Hannah Arendit, banalizar o mal é ter conhecimento de um problema, mas não buscar soluções que o resolvam, de fato. Nesse contexto, fica claro afastar aqueles que seriam os “indesejados” como os indivíduos em situação de rua, ambulantes nos semáforos ou pedintes, por meio da arquitetura hostil é, evidentemente, banalizar as suas condições vulneráveis; antes, deve-se olhar para eles como cidadãos que precisam de amparo e visibilidade, não de exclusão.

Portanto, é dever do Estado canalizar maiores recursos a fim de dignificar a parcela social em fragilidade enquanto cidadã, por meio da criação de mais vagas em cursos profissionalizantes, além de repúblicas e casas de abrigo, ações que farão da cidade um lugar acolhedor e oportunizador, afastando a desigualdade. Assim, não precisarão recorrer à uma arquitetura socialmente hostil.