A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 08/01/2024

A obra “Utopia”, escrita pelo filósofo Thomas More em 1516, retrata uma sociedade acolhedora e sem conflitos. No entanto, a realidade das cidades brasileiras demonstram o oposto com o aumento da arquitetura hostil, ou seja, contruções inapropriadas para o bem estar social. Logo, tal problemática acarreta a marginalização e, também, ao questionamento do que é ser cidadão nos tempos atuais.

Nessa perspectiva, é válido mencionar o pensamento do filósofo contratualista Hobbes, o qual reflete que o homem é o lobo do homem. Assim, ao criar mecanismos que afastam outros indivíduos do meio, o homem põe em risco a sua própria espécie, o que cria um conflito, como proposto por Hobbes. Posto isso, a prática do design urbano defensivo provoca a marginalização da população em situação de rua, gerando um individualismo exacerbado no restante da comunidade.

Outrossim, esse ato fere os direitos do cidadão brasileiro propostos pela Constituição Federal de 1988. Sendo assim, o artigo 5, o qual debate que todos são iguais e possuem direito à vida, igualdade e segurança, é burlado e prejudica as diretrizes estatais. Dessa maneira, os indivíduos afetados sentem-se excluídos da sociedade e da pátria como um todo, tornando-se invisíveis perante a lei e ao conceito de cidadão.

Torna-se imperativo, portanto, medidas que visem o fim da arquitetura hostil. Por isso, é dever das cidades oferecerem mudanças através do Plano Diretor - mecanismo de desenvolvimento urbano -, como a inclusão de locais acolhedores para que dessa maneira todos sejam reconhecidos como cidadãos. Somente assim, o Brasil será um país visionário e mais próximo de atingir o proposto por More no século XVI.