A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 25/01/2024
A construção de obstáculos em lugares públicos vem chamando a atenção pela criatividade e falta de empatia com pessoas em condições de rua. A arquitetura hostil se desenvolveu em bancos, embaixo de pontes e estabelecimentos comerciais, visando impedir a permanência nesses locais por um longo período. Soluções como moradias baratas e albergues já estão disponíveis, porém não são aderidas por todos.
Minicasas já são uma realidade na cidade de São Paulo. A vila reencontro, com um espaço de 18m quadrados, abriga mais de 400 pessoas no Bairro do Pari, zona leste da capital. Claro que alguns requisitos devem ser preenchidos pelas pessoas instaladas no local: frequência dos filhos na escola, a não intenção de prosseguimento, pois a família deve ter a intenção de sair por meios próprios (até conseguir emprego). O que mostra uma evolução para um problema
intensificado durante a pandemia.
Além disso, os albergues sempre foram uma ajuda àqueles que não dispõem de lugar fixo para dormir. Contudo, traz empecilhos a alguns moradores de rua, por exemplo: horários rígidos a serem cumpridos, casos de roubo, violência e falta de vagas impedem o total aproveitamento de um serviço necessário para um dos maiores problemas sociais. Sem contar a distância e a quantidade insuficiente de albergues.
Em suma, a arquitetura hostil existe porque o Estado foi falho na inclusão social, geração de emprego e no tratamento das pessoas com problemas químicos ou psiquiátricos. Políticas públicas e efetivas devem ser tratadas como prioridade constitucional no combate a qualquer tipo de degradação humana.