A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 02/02/2024
Segundo Nelson Mandela, “A liberdade não é a mera ausência do aprisionamento, tal como se diz que a paz não é a mera ausência da guerra”. Assim, não enfrentar um problema não quer dizer que ele não exista. É nesta perspectiva, que a aplicação da arquitetura hostil nas cidades é um mecanismo covarde de exclusão social. Prova disso, são os obstáculos criados nas cidades, que dificultam o convívio e a inclusão de diferentes grupos a sociedade.
Embora, conforme a Constituição de 88, seja direito de qualquer pessoa o acesso a cidadania e dignidade humana. Na realidade, esses fundamentos são descartados pela sociedade, uma vez que o emprego da arquitetura hostil segrega e excluí o indivíduo pela sociedade. Deste modo, esse tipo de arquitetura só acentua ainda mais as desigualdades sociais, já que impossibilita, principalmente, o acesso à dignidade humana. Como é possível exemplificar, pelas pedras que bloqueiam o abrigo de pessoas em situação de rua no centro do Rio de Janeiro. Visto que, para negar cidadania e dignidade a essas pessoas é necessário negar a humanidade.
Além de desumanizar o indivíduo, a arquitetura hostil também é uma forma de invisibilizar esta consequência ocasionada por diversas questões sociais no Brasil, a exemplo da desigualdade social. Assim, como fica evidente nas palavras do Papa Francisco: “A pobreza não é fruto do destino, é consequência do egoísmo”. Apesar disso, o emprego dessa arquitetura é justificado por seus defensores como uma medida para evitar pessoas e comportamentos indesejados. Uma vez que, um problema que não é visto não é lembrado.
Portanto, o emprego da arquitetura hostil é um reflexo de uma sociedade apartada que tenta de forma agressiva eliminar a consequência e não solucionar o problema. Então, cabe ao governo criar programas para subsidiar moradias provisórias para pessoas que queiram sair das ruas, mas não tem como arcar com a despesas, além de inseri-las no mercado de trabalho por meio de vagas encaminhadas por empresas e entidades parceiras e promover assistência psicológica com intuito de que essas pessoas nunca mais precisem voltar para as ruas.