A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 09/02/2024
A arquitetura hostil é entendida como as modificações realizadas em locais públicos a fim de restringir a permanência de pessoas em situação de rua neles. Em decorrência disso, percebe-se que esses são privados de usufruir de lugares populares, como bancos, viadutos e pontes, uma vez que são colocados objetos pontiagudos que impeçam de deitar neles. Assim, entende-se que as ações do corpo civil excluem esses indivíduos, assim como não lhes garantem os direitos básicos à residência.
Primeiramente, vale ressaltar que o preconceito sofrido por pessoas em vulnerabilidade gera a segregação delas, visto que, além se serem tratadas como “desocupadas” e “preguiçosas”, elas não possuem locais para abrigarem-se nas cidades. Segundo o site G1, o padre Júlio Lancellotti relatou que o governo de São Paulo colocou pedras pontiagudas embaixo dos viadutos com finalidade de impedir que alguém durma nesses locais. Nesse viés, analisa-se que a arquitetura é usada de forma preconceituosa ao proibir o uso do espaço público por esses sujeitos. Dessa forma, compreende-se que a exclusão social também está ligada as construções governamentais com mecanismos de expulsão de desabrigados delas.
Ademais, é notório que os direitos de indivíduos que vivem em condição vulnerável nas ruas não são assegurados, pois eles não possuem acesso à casa adequada e salubre. Conforme a socióloga Hannah Arendt, “cidadania é o direito a ter direito”, ou seja, quem é cidadão deve ter o seu garantido. No entanto, nota-se que esses cidadãos não possuem acesso ao que lhes é devido, isto é, o governo não realiza políticas que os favoreça. Logo, observa-se que a cidadania delas é deturpada em decorrência de situações como a relatada pelo padre Júlio Lancellotti.
Em suma, conclui-se que indivíduos em situação de rua são excluídos socialmente em virtude da arquitetura das cidades. Destarte, é mister que o Ministério da Cidade, órgão responsável por promover o acesso à moradia digna para a comunidade, construa casas sociais e albergues, por meio de verbas destinadas a esse setor, com o intuito de acabar com a segregação sofrida por esses sujeitos, além de garantir habitação a eles.