A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 10/02/2024
A cidade como um exemplar de hostilidade.
De acordo com a Constituição Federal de 1988 a igualdade e a liberdade de ir e vir são direitos e garantias fundamentais de todo cidadão brasileiro. Entretanto, desde a década de 90 tem ocorrido casos em que os mesmos são negligenciados. Como exemplo, podemos citar a arquitetura hostil que muitas vezes é utilizada como um mecanismo de exclusão social, atingindo principalmente pessoas que vivem em situação de rua e o silencio da mídia perante essas construções é ensurdecedor.
Primeiramente, é importante lembrarmos do levantamento realizado em 2019 pela prefeitura de São Paulo, que informa que na capital 12.651 pessoas encontram-se vivendo nas ruas. Estas que, muitas vezes por falta de opção procuram um local mais seguro para dormir, como embaixo de viadutos, bancos de praças e canteiros. Entretanto, com o crescimento da arquitetura hostil isso tem ficado cada vez mais difícil, a implementação de barras em bancos, pedras pontiagudas, grades e espetos em canteiros são justificadas como uma forma de proteção, mas na verdade é só mais uma forma de controlar o comportamento humano.
Além disso, o silencio da mídia em relação essas construções arquitetônicas têm sido maior do que deveria, visto que não é de hoje que elas são feitas, mas poucas pessoas têm o conhecimento e conscientização sobre as mesmas. De acordo com a pensadora contemporânea Djamila Ribeiro, é preciso tirar as situações da invisibilidade para que soluções sejam encontradas, perspectiva que demonstra a falha cometida pelos canais de comunicação, uma vez que existe uma forte carência de informação sobre o assunto. O que gera uma normalização de exclusão social.
Destarte, cabe ao Governo Federal – em sua função de promotor do bem-estar social – estabelecer leis e uma ampla fiscalização, que proíbam a arquitetura hostil principalmente em locais públicos. A fim de, não excluir e prejudicar ainda mais uma parte da sociedade que já está em situação vulnerável. Além disso, é de extrema importância que a mídia comece a divulgar e promover reportagens e campanhas, com o intuito de informar e conscientizar a população. Fazendo com que a cidade seja um exemplar de acolhimento e não de hostilidade.