A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 01/03/2024
O romance filosófico “Utopia”, criado pelo escritor inglês Thomás Morus no século XVI, relata a história de uma sociedade perfeita e altamente idealizada, a qual possui uma engrenagem social desprovida de falhas e problemas. Entretanto, tal narrativa torna-se distante da realidade atual a partir da análise da manutenção da arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social, problemática que segue
muito recorrente no Brasil. Este panorama lamentável ocorre não só em razão da vigente discriminação social de classes, mas também devido a formação de centros urbanos voltados para favorecer apenas as necessidades dos mais favorecidos.
Nesse viés, é primordial destacar que, mesmo com altos níveis de pobreza e desemprego no Brasil, a realidade da arquitetura hostil ainda apresenta-se como forte símbolo de preconceito e discriminação social. Sendo assim,é nítido que tal circunstância deletéria é reflexo das falhas presentes na construção da conjuntura social brasileira, haja vista que essa exclusão arquitetônica é representativa de concepções arcaicas e intolerantes. Dessarte, torna-se perceptível a inter-relação entre incomplacência e arquitetura hostil.
Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, O Estado foi criado para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Contudo, é evidente o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, haja vista que o governo federal, a partir da manutenção da arquitetura hostil, é responsável pela segregação socio-espacial e pela desarmonia presente na coletividade. Em conseguinte, é válido destacar a ineficácia do Poder Público, no que concerne a criação de medidas, as quais se responsabilizem por atender as necessidades de todas as classes sociais nos centros urbanos.
Infere-se, portanto, necessidade da criação de mecanismos para resolução de tal questão. Isto posto, cabe ao governo federal a reformulação de centros urbanos brasileiros, a fim de que estes supram as necessidades de todos os habitantes do País e para que os menos favorecidos apresentem, após tal medida, um renovado sentimento de pertencimento e importância social para o Brasil. Feito isso, a arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social poderá ser superada e a harmonia entre seus habitantes será preservada.