A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 15/02/2024
Promulgada em 1988, a Constituição Federal, documento jurídico mais importante do país, declara em seu artigo 5° que todos são iguais perante a lei, tendo direito a liberdade, igualdade, segurança e propriedade. Entretanto, esse direito não se oficializa na prática, considerando a presença da arquitetura hostil como forma de exclusão social. É notório que esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência estatal como do sistema consumista que afeta concepções éticas e morais dos indivíduos.
Observando a frase do filósofo grego Aristóteles, na qual afirma “a base da sociedade é a justiça”, infere-se que uma sociedade sem justiça não possui fundamentos, e tal cenário possui verossimilhança com a realidade, considerando que, é papel do Estado assegurar os direitos humanos de todos os cidadãos, no entando, há a exclusão de moradores de rua através da arquitetura hostil. Feita com astes entre bancos, espinhos no concreto entre outros mecanismos, são pensados com a intenção de afastar pessoas desabrigadas que utilizam o espaço como descanso e lazer.
Neste viés, percebe-se a falha constituição dos valores éticos e morais da sociedade contemporânea. Ao verificar que, um indivíduo só possuí seus direitos assegurados por lei quando contribui ativamente para a movimentação da economia, ou seja, comprando e comercializando produtos. Revelando uma sociedade que carece de empatia e reduz a humanidade ao consumo de produtos. Filosofia lastimável que reflete pensamentos elitistas na arquitetura hostil presente como forma de excluir pessoas que não contribuem para o cruel sistema.
Em virtude aos fatos mencionados, averigua-se que a arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social pode ser considerada uma falha na constituição e um produto do sistema consumista. Por conseguinte cabe ao governo fiscalizar e restringir o uso dessa forma de acabamento.Cabe também a instituições de publicidade induzir a empatia por pessoas em situação de rua, por meio de anúncios com dados estatísticos e conscientização sobre a arquitetura hostil. Pois seguindo o raciocínio de Zygmunt Bauman “Não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”.