A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 23/02/2024

A música “A Cidade”, interpretada pelo cantor Chico Science, faz uma crítica social e urbana às metrópoles, as quais possuem um planejamento urbano que refletem as desigualdades sociais existentes. Paralelamente à canção, nota-se, na sociedade atual, o projeto arquitetônico excludente das cidades, o que causa a intensificação da marginalização de parte da população. Com isso, é preciso entender os principais motivadores da arquitetura hostil e socialmente excludente.

Diante desse cenário, é válido ressaltar que a segregação social na qual a arquitetura hostil se baseia possui raízes históricas entre os brasileiros. Isso ocorre pois, no período pós-abolicionista do Brasil, apesar da abolição da escravidão pela Lei Áurea, houve a permanência de mecanismos de exclusão dos negros, como a discriminação racial e, consequentemente, o afastamento social dos libertos. Dessa maneira, tais acontecimentos contribuiram para a persistência da exclusão social de parte da população, a qual dialoga com a atual marginalização dos indivíduos decorrente da arquitetura de hostilidade.

Ademais, é importante compreender que o desenvolvimento da arquitetura hostil é algo guiado pelo interesse da classe dominante em manter a desigualdade social do país. Nesse sentido, assim como afirma o economista Celso Furtado, há uma naturalização de um ciclo econômico pautado na persistência da desigualdade, ou seja, tais projetos são intecionalmente excludentes. Desse modo, tal situação é vista nos planejamentos urbanos, os quais são construídos para impedir a presença de pessoas em situação de rua nos espaços públicos, o que perpetua a carência de equidade social no país, uma vez que o brasil ocupa o oitavo lugar entre os países mais desiguais do mundo, segundo o IBGE.

Infere-se, portanto, que é preciso acabar com a arquitetura de hostilidade, a qual funciona como um mecanismo de exclusão social. Para isso, o Poder Executivo, mais especificamente o Ministério do Desenvolvimento Social, deve criar políticas públicas que visem uma arquitetura acessível para todas as classes. Tal ação deve ocorrer por meio de uma fiscalização dos planejamentos urbanos e impedir a contrução de espaços hostis a fim de evitar as barreiras sociais existentes e, dessa forma, promover uma maior equidade social.