A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 27/02/2024
No poema “No Meio do Caminho”,do ilustre poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade,o autor afirma que “No meio do caminho tinha uma pedra,tinha uma pedra no meio do caminho”.Fora do “universo lírico”,na realidade,percebe-se que de fato existem pedras sob viadutos,bancos com divisórias e estacas de ferro em estabelecimentos,sendo esses,exemplos de como a arquitetura hostil se faz presente no país.Logo, evidencia-se que o objetivo de tal arquitetura é agir como um mecanismo de exclusão social.Isso ocorre,frequentemente,em razão da falta de empatia e resulta,por vezes,na marginalização da população de rua.
Antes de tudo, é importante dizer que, de acordo com o filósofo Arthur Schopenhauer, o homem é um ser naturalmente egoísta. Desse modo, muitas vezes se enxerga o morador de rua como uma espécie de “pedra no meio caminho” cuja a existência só é notada quando alguém se sente incomodado, seja por meio do tráfego “atrapalhado” na calçada ou por,simplesmente ser visto como “feio”, para alguns,se deparar com alguém dormindo na praça.Assim, percebe-se que o egoísmo humano é uma das causas da existência da arquitetura hostil,fazendo-o se inquietar com a mera logística de tráfego e estética urbana em detrimento à condição desumana que algumas pessoas ainda enfrentam.
Além disso, é válido mencionar que com a “Urbanização Tardia” ocorrida no Brasil na segunda metade do século XX, muitas cidades cresceram desorganizadamente e, com isso, uma pequena parte da população se situava em bons e centrais bairros e, a maior parte, em locais remotos, quando não, nas ruas.Atualmente, além de “excluídos” da sociedade, muitos são proibidos por meio da arquitetura hostil de se estabelecerem nas ruas na falta de teto, sendo negado às vítimas desse mal o direito ao espaço público, marginalizando-os .
Portanto, diante da arquitetura hostil,causada, muitas vezes, pela falta de empatia, entende-se como esse mal pode agir como mecanismo de exclusão social,marginalizando os “mendigos”.Logo, faz-se preciso que o ministro do Supremo Tribunal Federal,Alexandre de Moraes combata a arquitetura hostil por meio aprovação da lei “Arquitetura Gentil”,a fim de desmarginalizar os “sem-teto”.