A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 27/02/2024

A arquitetura hostil é aquela cuja estética esconde a intenção de evitar que moradores de rua e pessoas desafortunadas permaneçam em determinado lugar, puramente pela harmonia visual. Indubitavelmente, essas construções estão cada vez mais presentes no Brasil e se configuram um mecanismo de exclusão social. Tal problemáica revela a quantidade avassaladora de pessoas desabrigadas no Brasil, potencializada pela inércia estatal.

Mediante tal fato, ressalta-se que o Brasil enfrenta o grave desafio de reduzir a pobreza extrema, que leva muitas pessoas a morarem na rua. Tal fato é corroborado por dados do IBGE, que indicam que, no Brasil, cerca de 30% da popu-lação vive em situação de “invisibilidade social”, ou seja, essas pessoas têm de lutar diariamente contra a violência da marginalização e da segregação social. Nesse sentido, Simone Beauvoir ressalta como a nomarlização da hostilidade é prejudicial à sociedade e deve ser descontruída.

Ademais, é necessário compreender como a falta de resoluções do problema, por parte do Estado, contribui para a perduração do cenário atual. Nesse sentido, apesar de a Constituição Federal assegurar o direito de moradia e condições dignas a todos os brasileiros, o Estado falha em seu papel, defendido pelo filósofo contemporâneo Michel Focault, de promover a igualdade por meio da promoção de qualidade de vida e bem-estar a todos. Tal prerrogativa é evidenciada por dados da Folha de São Paulo, que revelam que cerca de 100.000 brasileiros sofrem com a omissão de seus direitos no Brasil, ou seja, não têm suas necessidades mais básicas atendidas.

Diante do exposto, urge a necessidade de intervenção estatal. Portanto, cabe ao Ministério da Educação promover debates sobre a arquitetura hostil, evidenciando como reflete uma mentalidade nefasta e segregadora. Os debates devem contar com profissionais de arquitetura, além de filósofos e sociólogos especialistas em ética. Desse modo, o próposito dessa estética ficará evidente e a opinião popular contra essas práticas, realizadas majoritariamente por empresas grandes e de forma sutil, ganhará força. Tudo isso contribuirá para a criação de um Brasil mais igualitário.