A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 01/03/2024
Na obra utopia, de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, ou seja, sem mazelas socias. Nessa perspectiva, nota-se um distanciamento da realidade brasileira, visto que até a arquitetura do país é planejada com o objetivo de excluir uma parcela da população. Sob esse viés, há dois fatores que potencializam a problemática em questão: a desigualdade social e o individualismo da sociedade.
Diante desse cenário, a desigualdade social, causada pela concentração de renda nas mãos de poucos indivíduos, é um grande fator contribuinte para a arquitetura hostil. Nesse contexto, o escritor Ariano Suassuna defende a existência de uma injustiça secular capaz de dividir a nação brasileira em dois países distintos: o dos despossuídos e o dos privilegiados. Sendo assim, por não possuir um lar, os desfavorecidos sofrem diariamente nas ruas ao tentar se acomodar em algum banco ou escada, que estão planejados para serem desconfortáveis. Portanto, não é justo que a condição financeira de um cidadão seja critério para definir se ele tem ou não o direito de ter algum lugar para descansar.
Além disso, vale ressaltar que o mundo contemporâneo está cheio de indivíduos egoístas, que só demostram preocupação quando o problema passa a atingi-los. Nesse sentido, o filósofo Adam Smith afirma que apenas a busca por interesses individuais levaria a sociedade ao progresso, de modo que a benevolência humana seria sinônimo de fraqueza. Logo, percebe-se uma coerência com o mundo real, já que as pessoas não enxergam a arquitetura hostil como um problema e um mecanismo de exclusão social, pois não são elas que estão sendo prejudicadas e excluídas. Desse modo, ações precisam ser feitas para que os cidadãos em situação de rua sejam tratados da forma que merecem.
Destarte, medidas são necessárias para combater a arquitetura hostil e a exclu- são dos desabrigados. Assim, o Ministério do Desenvolvimento Social, responsável pelo progresso da sociedade, deve conscientizar a população acerca da situação vivenciada por alguns indivíduos. Isso pode ser feito mediante campanhas publi- citárias, a fim de acabar com a construção desses ambientes desagradáveis. Dessa maneira, as vítimas dessa arquitetura terão uma melhor qualidade de vida.