A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 15/03/2024

Em 2005, no Brasil, foram feitas instalações de rampas de concreto na passagem subterrânea que conecta a avenida Paulista à avenida Doutor Arnaldo, com o objetivo de inviabilizar a permanência de pessoas em situação de rua. Esse é um exemplo de caso de arquitetura hostil, em que espaços públicos, privados e urbanos são construídos com o objetivo de banir determinados grupos de um local. Assim, a arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social é um sério problema que causa a discriminação de pessoas em situação de rua e tornam espaços públicos cada vez menos inclusivos.

Dessa forma, a situação das pessoas em condição de rua é muito complexa, pois já não têm moradia e também são ignorados e impelidos, pelo governo, a sair do único lugar que tem para ficar, mesmo precisando urgentemente de ajuda para sair dessa circunstância. Dados coletados em 2019 pela prefeitura de São Paulo apontaram que, na capital, 12651 pessoas encontram-se vivendo na rua, o que é inadmissível e mostra quantos indivíduos vêm sofrendo com a arquitetura hostil, que deixa os espaços comuns cada vez mais restritos para essa parte da população.

Além disso, a arquitetura hostil torna os espaços públicos menos inclusivos, já que não são viáveis para pessoas em situação de rua ou com alguma deficiência, por exemplo. Um levantamento realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), aponta que, em 2022, a população em situação de rua superou as 281 mil pessoas; dado preocupante, pois todas estão sujeitas a sofrer com a arquitetura hostil e se sentirem indesejadas em seu próprio país.

Assim, é dever do Estado resolver a situação, por meio do investimento e reforçamento de leis que viabilizam a inclusão social na arquitetura e o amparo de pessoas em situação de rua, como diz a Lei Padre Júlio Lancelloti, que proíbe a instalação de pedras, pinos, grades, etc em áreas públicas. Porém, é notável que a lei não é eficiente, já que ainda existem espaços assim; então, com a tomada de medidas para solucionar esse problema, as pessoas que sofrem com isso se sentiram incluídas na sociedade e terão ajuda para sair dessa situação, tornando a sociedade menos desigual e mais eficiente.