A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 16/03/2024
“O Brazil não merece o Brasil/O Brazil tá matando o Brasil”. A sátira social neste trecho da música “Querelas do Brasil”, composta por Aldir Blanc e Maurício Tapajós, revela a contradição e o autoritarismo das classes alta e média brasileiras, que vão à igreja, mas rejeitam a presença de pessoas em situação de rua, por exemplo. Com o argumento de promover a segurança pública, realizam a prática de higienismo urbano, com a construção de uma arquitetura hostil nas cidades. Esse comportamento social tem nome: aporofobia, aversão a pobre.
Primeiramente, a questão da segurança é um dos motivos usados para a implementação da arquitetura hostil. As contruções demonstram essa “preocupação” instalando, por exemplo, pedras ou pregos em pisos públicos, dizendo para quem é morador de rua que esse lugar não era para ele. Ao invés de encontrar um jeito efetivo para melhorar a vida dessa população vunerável, a sociedade prefere esconder o problema debaixo do tapete.
Além do mais, historicamente, as classes privilegiadas sempre adotaram práticas higienistas, que tem como finalidade deixar as cidades mais “limpas”. No caso da arquitetura hostil, a ideia é fazer com que pessoas em situação de rua, consideradas indesejáveis, migrem para outras áreas. Mas isso nem sempre acontece. Se a pessoa não consegue dormir no banco, vai dormir no chão, promovendo a desumanização e até a animalização do ser humano.
Assim sendo, foi criada uma lei, aprovada no ano passado, conhecida como “Lei Padre Júlio Lancellotti”, um religioso católico que é um ferrenho crítico à prática de aporofobia. Essa legislação proíbe as construções de arquitetura hostil, mas essa regra tem que ser cumprida. É preciso também ser criado um projeto pelas prefeituras que auxilie moradores em situação de rua, por meio de casas de apoio, que oferecam de forma gratuita alimentos, consultas médicas e psicólogicas, lavanderias, banheiros para tomarem banho, doação de roupas e calçados. Além disso, os orgãos municipais precisam firmar parcerias com empresas para a contratação dessa população.