A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 15/03/2024

“Concrete jungle, where the living is hardest” é o que diz a música “Concrete Jungle" de Bob Marley, e ela retrata a dura realidade urbana enfrentada por muitas pessoas, refletindo indiretamente sobre a exclusão social e a hostilidade dos espaços urbanos. A arquitetura hostil é uma manifestação concreta da desigualdade social presente em nossas cidades. Um exemplo claro disso é a presença de bancos com divisórias centrais nos espaços públicos, que impedem o descanso ou o abrigo dos sem-abrigo. Esta prática não só os exclui fisicamente destes locais, mas também reforça o estigma social, contribuindo para a sua marginalização.

Outra forma de arquitectura hostil é a instalação de “espigões” ou redes em áreas de abrigo, tais como sob viadutos. Estas estruturas são concebidas para manter os sem-teto afastados, tornando estes espaços inacessíveis e hostis. Esta abordagem não só exclui estes grupos dos benefícios dos espaços urbanos, mas também os expõe a ambientes mais precários e perigosos.

Além disso, a arquitectura de espaços residenciais e comerciais de luxo contribui frequentemente para divisões socioeconómicas. Os condomínios fechados, com os seus muros altos e sistemas de segurança ostentosos, excluem aqueles que não podem suportar economicamente esses custos, criando enclaves de riqueza que perpetuam a exclusão, a subtracção e a desigualdade.

É, portanto, essencial que a arquitetura seja abordada de forma mais holística e sensível às necessidades de todos os cidadãos. Isto requer não só uma mudança nas práticas de design, mas também uma reflexão mais ampla sobre as estruturas económicas e sociais que perpetuam a exclusão social e a marginalização nas áreas urbanas.