A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 18/03/2024

Em meados do século XX, o escritor Stefan Zweig escreveu sua obra “Brasil, um país do futuro”, que logo se tornou uma espécie de lema para a nação verde-amarela. Entretanto, observa-se a arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social na atualidade. Nesse contexto, fica evidente que o cenário nefasto ocorre devido não só pela desigualdade social, mas também pela negligência governamental.

Em primeiro lugar, é notório pontuar a desigualdade social como uma das causas. De acordo com Robert Lee, poeta estadunidense, “Antes de construir um muro, pergunto sempre quem estou murando e quem estou deixando de fora”. Dessa maneira, a frase do poeta relaciona tanto a desigualdade social, que impede que todos tenham as mesmas condições, quanto a falta de inclusão. Nesse viés, uma parcela significativa da população, caracterizada por “sem-teto” e pessoas de baixa renda, é, evidentemente, excluída e desprovida de seus direitos. Com isso, a dificuldade que grupos marginalizados da sociedade têm em garantir seus direitos como cidadãos, o que vai ao encontro do artigo 6.º da Constituição Federal, que declara o direito de moradia e vida digna a todo e qualquer cidadão do país. Desse modo, tal realidade deve ser alterada.

Ademais, para Bauman, algumas instituições atuam como “Zumbis”, pois perderam sua função social. Nessa ótica, tal teoria é constatada na terra de Santa Cruz, dado que a causa da adversidade supracitada advém de falhas do poder estatal. Nesse sentido, a postura que o Estado assumi ao fomentar e construir estruturas arquitetônicas que visam restringir o acesso das populações de ruas e das camadas pobres da sociedade, contradiz a que lhe foi confiada, pela Constituinte de 1988 no Artigo (3°) que é de promover o bem de todos sem qualquer forma discriminação. Nesse cenário, faz-se necessário uma mudança.

Portanto, é fundamental que a exclusão de pessoas de rua devido à arquitetura hostil no Brasil seja minimizada. Para isso, o poder público municipal deve sanar o uso da arquitetura hostil no município, por meio de equipes especializadas, para que as pessoas em situação de rua não sofram com a exclusão. Somente assim, será possível desenvolver um país do futuro, segundo a obra de Stefan Zweig.