A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 26/03/2024
Na obra Utopia, do autor Thomas Morus, é projetada uma sociedade perfeita, configurada pela ausência de conflitos. Nota-se que tal projeção se distancia da realidade, devido à existência problemas tão basilares como a arquitetura hostil e a exclusão social que continuam latentes no Brasil. Isso se deve, sobretudo, à negligência governamental e as raízes históricas.
Sob esse viés analítico, é perceptível o descaso governamental em relação a essa temática. De maneira análoga, menciona-se o contratualista Thomas Hobbes, o qual afirma que é dever do Estado garantir o bem-estar da população. De forma oposta ao pensamento de Hobbes, o governo não fornece a devida atenção à arquitetura hostil, visto que não cria campanhas de conscientização com intuito de diminuir a exclusão social, causada na maior parte das vezes por pessoas de classes sociais mais altas. Desse modo, é inaceitável a permanência desses problemas na contemporaneidade, seja pelo uso de pinos em escadas e calçadas da rua, bancos tortos, entre outras formas que são utilizadas que deixam o grupo de pessoas atingido em estado de vulnerabilidade social, podendo causar doenças psicológicas como ansiedade e depressão.
Ademais, pode-se afirmar que a arquitetura hostil é um problema enraizado devido a influências do passado histórico. Nesse sentido, observa-se a Revolução Industrial, de início no século XVIII, que submetia os trabalhadores a condições precárias de trabalho e também de moradia. Apesar de situações diferentes, é possível relacioná-las a partir da exclusão social presente em ambas, submetendo essas pessoas a situações desconfortáveis de sobrevivência e criando o sentimento de inferioridade nelas. Dessa forma, percebe-se a relevância que a arquitetura hostil merece receber, já que prejudica a sociedade e o seu funcionamento, pois segrega a população e menospreza as pessoas atingidas por essa arquitetura.
Depreende-se, portanto, a necessidade da adoção de medidas para solucionar a arquitetura hostil. Para que isso seja possível, é papel do Governo Federal, instância maxima do poder público, fornecer a devida atenção ao tema. Isso deve ocorrer por meio de campanhas de conscientização nas escolas e universidades, para que consiga pôr um fim nessas raízes históricas e no sofrimento da sociedade.