A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 07/06/2024
O período do Feudalismo foi marcado pela separação do indesejado através de muros e muralhas, a população se isolava com medo do que tinha fora do feudo. Nesse sentido, é notável que o objetivo da arquitetura sempre foi para proteger e separar, transmitindo um sentimento de segurança. No entanto, no tempo presente, as estruturas estão contribuindo para uma redução da diversidade na sociedade, excluindo aqueles que são vistos como indesejáveis de maneira discreta e indireta.
A Arquitetura hostil são designs disfarçados que impedem e manipulam o ambi-ente, para que os moradores de rua não possam se deitar ou utilizar o local. Essas estratégias são mais utilizadas nos centros urbanos, como por exemplo, os bancos da praça, com divisórias, em frente ao teatro Municipal do Rio de Janeiro, para que nenhuma pessoa possa dormir ou apenas deitar confortavelmente. Mediante o exposto, é possível criar muros “invisíveis” que expulsam os indesejados dos cen-tros, aumentando extremamente o preconceito e diminuindo a diversidade. Já que as cidades foram feitas para todos sem exceção.
Ademais, sob a perspectiva do filósofo Pierre Lévy “toda nova tecnologia cria seus excluídos”. É ponderável que que com os avanços de design, é possível dividir os pobres dos ricos, já que o objetivo dessas estratégias é desencorajarem a presença da população sem moradia das capitais. Desse modo, o povo excluído irá buscar lugares com ocupantes que passaram pelas mesmas discriminações e com caracte-rísticas semelhantes. Assim, quanto mais separados mais difícil será acabar com a desigualdade social e aumentará o preconceito com os grupos marginalizados.
À luz dessa lógica, medidas devem ser tomadas para resolver esse impasse, já que de acordo com o Art 5 da Constituição " todos são iguais perante a lei". Assim, as Prefeituras Municipais e o Ministério dos Direitos Humanos devem criar canais de denúncia para fiscalizar comércios que utilizam da arquitetura hostil, punindo-os com advertências, para assim, garantir que que as cidades estejam em conformidade com as leis. Dessa forma, será possível promover um ambiente urbano mais inclusivo e diversificado, onde todos os cidadãos possam coexistir sem os muros invisíveis que perpetuam a segregação e o preconceito.