A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 25/10/2024
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada u ma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a arquitetura hostil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagónico é fruto tanto da negligência governamental, quanto da preconceito social contra às pessoas vulneráveis. Diante disso, faz-se imperiosas a discussão desses aspectos.
Precipuamente, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais que coíbam as construções segregacionistas. Nesse sentido, a máquina pública, ao não promulgar leis que impeçam a sociedade de propor estruturas visando o afastamento de pessoas em situação de rua, reforça o descaso a essa minoria. Tal conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir a hormonia social e a proteção às populações carentes, o que é infelizmente evidente no país.
Ademais, é imperativo ressaltar o preconceito e a discriminação enraizados na sociedade como promotores do problema no Brasil. Segundo Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Partindo desse pressuposto, a antiga aversão aos menos favorecidos, cultivada desde primórdios da colonização da nação verde-amarelada pela elite portuguesa, subsiste até a atualidade, sendo refletida na intensidade da óbice e na gravidade de seus efeitos. Logo, é inadimissível que esse cenário deletério continue a perdurar.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a arquitetura hostil, necessita-se, ugentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministérios da Educação, será revestindo em conscientização sobre o respeito aos moradores de rua, através de palestras aplicadas em escolas, públicas e privadas. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo desse modelo arquietônico, e a coletividade alcançará a Utopia de More.