A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 15/04/2024

No Brasil Império, mesmo alforriados, os escravos eram proibidos de frequentar centros urbanos. Paralelamente, na contemporaneidade, o que se observa é a mesma lógica segregacionista, uma vez que a arquitetura hostil afasta os indigentes do convívio social. Esse cenário antagônico é fruto tanto da mercantilização do valor humano, quanto da aporofobia. Desse modo, faz-se necessária a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Nesse ínterim, o historiador Jain Borde disse: “Somos da república apenas na medida que estamos trabalhando ou consumindo mercadorias diretamente.”. Ou seja, o valor de um ser humano, para o capitalismo, se restringe à esfera econômica, favorecendo, assim, a contrução de projetos arquitetônicos não usuais aos menos favorecidos.Desse modo, em vez de garantir a segurança urbana, direito garantido pela Contituição Federal de 1988, a popularidade da arquitetura hostil estimula a negligência das classes sociais, banalizandoa ainda mais a responsabilidade estatal sobre a dignidade dos cidadãos brasileiros.

Outrossim, no documentário “Arquitetura da Exclusão” de 2010, são exibidas paisagens do Rio de Janeiro, onde as favelas são separadas dos bairros luxuosos por muros, mostrando a disparidade e isolamento entre diferentes classes sociais. Nesse sentido, a aporofobia - aversão aos pobres - é materializada na arquitetura hostil, esse entrave aumenta a desigualdade social, assim como, gera o preconceito baseado no lugar de origem, marginalizando pessoas de favelas, mendigos e demais vítimas. Isso coíbe a oportunidade de ascenção social desses indivíduos, contribuindo para a perpetuação desse quadro deletério.

Desse modo, medidas exequíveis são nescessárias para conter o avanço dessa problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a arquitetura hostil, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio das secretárias de infraestura municipais, será convertido em obras que abriguem todas as populaçõese e incluam todas as pessoas. Desse modo, atenuar-se-á os impactos da arquitetura hostil, a médio e a longo prazo, e a coletividade conseguirá tranpor o legado imperial.