A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 15/04/2024
No desenho “One Piece”, em determinado arco da obra, em uma grande cidade riquíssima economicante, existiam periferias de extrema pobreza, porém, foi anunciada a visita do Governo Mundial em tal cidade; assim, com intuito de mostrar apenas o lado “positivo” sem mancha de pobreza, os líderes resolvem queimar toda a periferia, junto com sua população afim de que a cidade ficasse totalmente “limpa” para os visitantes. Conquanto, tal situação não é remota quando observa-se a arquiteura hostil nos dias atuais. Diante dessa perspectiva, faz-se necessária a analise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o problema. Nesse sentido, a falta de miníma empatia social e de direitos básicos, agregam-se ao caso citado no parágrafo anterior. Esa conjuntura, segundo as ideias do filósofo John Lucke, configura-se como uma violação do “contrato social”, uma vez que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a moradia, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a falta de empatia social e o egoísmo como impulsinadores da aquitetura hostil no Brasil, pois, assim como no caso do primeiro parágrafo, muitos comerciantes não desejam ver moradores de rua “sujando” a paisagem de seu estabelecimento e afins. Entretanto, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, é imprescindível que o governo Federal, por intermédio de leis e movimentos sociais, fiscalize e monitore os estabelecimentos e locais que possuem arquitetura hostil, e puna com multas, ou, em caso recorrente, suspenda as atividades do local, e paralelamente, construa albergues afim de abrigar os moradores de rua. Pois, de acordo com a constituição federal de 1988, é inerente a todo cidadão brasileiro o direito à moradia. E assim, realizando-se tais ações, se consolidará uma sociedade mais empática e respeitosa, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como descreve John Lucke.